Edmilson Peixoto
Publicado na Edição nº 37 do Jornal "O Pioneiro" (...)
             Alguns dias atrás fiz uma análise sobre o poder da representatividade que os políticos exercem sobre nós, pobres eleitores, e é impressionante como o poder político burla a democracia ao generalizar sua plenitude. Mas, a democracia da representatividade está em frangalhos; um verdadeiro esfacelamento. Então, acredito que podemos considerar nossa participação, tão somente como se fôssemos “fragmentos democráticos”.
O fragmento democrático que nos cabe é ditado por uma parcela muito pequena da sociedade e quando recorremos aos números, observamos, por exemplo, que aqui em Canaã dos Carajás tem 20.697 eleitores aptos para o exercício do voto e deste total, somente 2.718 estão distribuídos nos 24 partidos existentes por aqui e isso representa apenas 13% do eleitorado que faz a primeira seleção dos nomes que iremos votar. Então a primeira seletiva já implica no corte democrático da representatividade política.
Por outro lado, dentre os partidos existentes, cinco deles sozinhos tem mais da metade dos eleitores filiados, ao passo que entre os denominados “nanicos” existem aqueles que contam apenas com os representantes das suas comissões provisórias, ou diretórios e só existem para solicitar uma fatia maior do bolo na divisão dos cargos governamentais e dos recursos públicos, ao passo que os partidos maiores por conseguir agregar mais filiados, geralmente são aqueles que colocam as cartas na mesa e ditam as regras.
            Assim, tornou-se comum que nos momentos de eleição, os “candidatos da gente”, já foram empurrados para nós “goela abaixo”, pois cabe aos partidos a definição e a escolha dos “melhores nomes” dentre seus correligionários que precisam ser dotados de confiança, importância e poder de urna. Somente a partir daí é que podemos opinar com o nosso voto, ou seja, vivemos a rebocar a “democracia de palanques” de teorias ilusórias, pois deveria caber a nós, a “massa de manobra”, a escolha dos melhores quadros que representasse os anseios, angústias e satisfações populares com projetos políticos de prioridade social.
Este primeiro critério de escolha, em muitas situações, cabe aos “donos dos partidos” e não ao conjunto de seus filiados e na maioria destas escolhas, sobressaem lideranças ultrapassadas e autoritárias, logicamente antidemocráticas, que quando chegam ao poder, passam a governar sem participação da população e ainda fazem gracinhas em nome da democracia. Mas, numa primeira ação de cunho popular é capaz de solicitar que a polícia dialogue à sua maneira com cassetetes, bombas de efeito moral e outros artefatos contra o mesmo povo que o elegeu, ou até silenciando vozes, para torná-las inoperantes.
Portanto, para ter uma participação mais efetiva, nós, os eleitores, deveríamos ser filiados aos partidos para agregar maior poder de decisão. Mas, como os partidos que já galgaram o poder também não correspondem porque grande parte de seus líderes não têm princípios e valores morais, torna-os sem credibilidade para com a sociedade e findam sendo muito mais enlameados que as suas lideranças no lamaçal da corrupção. Uma pena!
Edmilson Peixoto
Publicado na Edição nº 37 do Jornal "O Pioneiro" (...)

Nas últimas décadas tornou se perceptível a inclusão de vários grupos minoritários no plano político e social através de processos democráticos participativos e duradouros, contrapondo e amenizando a exclusão promovida pela ascensão da burguesia ao poder, que tinha como maquiagem uma falsa democracia que excluía muita gente da participação política efetiva.

Esta inclusão, no entanto, só passa a existir graças a luta empreendida para que mulheres, analfabetos, trabalhadores, negros e indígenas garantissem o direito de votar e serem votados e ter acesso a um processo democrático mais representativo. Dessa forma, a presença das minorias no cenário político e social vem se tornando cada vez mais importante no equilíbrio das forças antagônicas existentes.

Mas, infelizmente, ainda percebemos o quanto é ínfima a participação destas minorias nos centros de decisão e da representatividade social brasileira, em especial as mulheres, devido a uma escala hierárquica de prevalência masculina e podemos citar Canaã dos Carajás como exemplo, pois ao longo da existência político-administrativa do município, foram disponibilizadas trinta e seis vagas na Câmara de Vereadores e, somente três mulheres até hoje conseguiram ocupar cinco destes espaços, ou seja, somente 14% das vagas foram preenchidas por mulheres. Pior ainda é que 100% de candidaturas aos pleitos majoritários que estiveram em disputa em quatro eleições foram todas do sexo masculino.

A lei brasileira 9.504/97 em seu artigo 10 §3º, estabelece que cada partido ou coligação deve reservar um mínimo de 30% e um máximo de 70% para candidaturas de cada sexo, e aí define-se que a política de cotas de gênero para candidaturas nas eleições legislativas se insere no marco das ações afirmativas que visam o princípio de igualdade material e a superação da discriminação arraigada historicamente e outros fatos recentes que são marcos para a superação e ascensão da mulher na política brasileira vêm ocorrendo nos partidos políticos e no Senado Federal que já estão instituindo cotas de participação em 50% dos cargos de direção partidária e nas eleições, tornando um sistema paritário de disputa. Assim, as mulheres devem aproveitar o espaço legal existente para participarem mais efetivamente do cenário político brasileiro.

A aquisição de experiência política, portanto, é necessária para que as mulheres adquiram maior capital político e possam se eleger para que gradativamente conquiste os espaços até então dominados por uma cultura de comportamento machista, apesar que a maioria das mulheres ainda é responsável pelo cuidado com os filhos e, para participar, precisam de estrutura, como creches e horários compatíveis com suas responsabilidades, cabendo aos representantes do Estado oferecer também não somente condições de paridade, mas da efetiva participação feminina na vida pública.

A participação feminina em cargos políticos eletivos é uma vitória da luta por direitos iguais, portanto, é de responsabilidade das mulheres que engrosse as fileiras da participação e que neste próximo pleito eleitoral, possamos sentir o reflexo da presença maciça das mulheres no contexto da representatividade social.
Edmilson Peixoto
AUTOR: Olavo Pereira 
Poeta de Eldorado do Carajás

Quando a estrada é o único caminho
Sente-se o cansaço, não consegue caminhar
Para chegar ao destino, há uma esperança
é como uma criança, aprendendo a andar.


O destino é distante, precisa ter fé
O dia é tão claro, aproveitar a luz
Os olhos abertos, o caminho seduz
A noite o descanso, o sono produz.

Força, permanecem, o descanso é total
Amanheceu o dia, a luz é igual
Caminhos tranquilos a fé continua,
Olhas prá cima, procura um sinal.

Porque há um desvio, para onde seguir
Aparece alguém, para lhe dirigir
Se foi a esquerda, não vai conseguir,
A noite que chega, procure dormir.

Seguir a direita o dia vai chegar
E  verás um sinal, que lhe vai indicar
O caminho é plano, não vai se cansar
O destino perfeito, você vai encontrar.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 36 do Jornal "O Pioneiro" (...)

Já decidi que votarei “sim” no plebiscito que definirá sobre a criação dos estados de Carajás e do Tapajós como desmembramento do Pará. Porém confesso que esta é uma atitude muito mais bairrista de minha parte e da parte de muita gente, pois não se vê perspectivas de melhorias na qualidade de vida do povo em desmembrar só por desmembrar sem alterar o comportamento político e a legislação hipócrita que beneficia apenas o capitalismo selvagem neste país.
Primeiro, a Lei Kandir é para nós um dos maiores entraves ao desenvolvimento humano, porque foi instituída para desonerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, os produtos primários e industrializados semielaborados e serviços exportados, ocasionando perdas irreparáveis na arrecadação de impostos aos estados e municípios. Como exemplo, podemos citar os royalties minerais que variam de acordo com o tipo do produto entre 0,3% e 3%, da arrecadação líquida, servindo apenas para gerar altíssimos lucros às empresas exportadoras de produtos primários, em especial os minerais.
Para ampliar ainda mais a miséria do povo, a “esmola” denominada royalty, parece ser compreendida como “responsabilidade social” por parte dessas empresas, que apenas sucateiam os municípios e destroem seu ambiente, enquanto seus povos não têm nem energia elétrica de qualidade que possa contribuir no desenvolvimento local.
Segundo, não adianta alterar a Lei Kandir se não houver um combate radical à corrupção nos “podres” poderes públicos, pois os representantes do povo, a cada dia se envolvem em mais escândalos, inclusive, muitos deles por uso indevido das “esmolinhas” e de outros recursos tão escassos. Por isso, o processo de emancipação deverá estender também para a representação política e eliminar essa que já existe, oportunizando que novos indivíduos sejam capazes de administrar o bem público para o público através da participação popular e não apenas servindo de “fantoches” às empresas multinacionais.
Mas, enquanto o objetivo é desmembrar Carajás e Tapajós, notamos que haverá apenas oportunidades para que “uma centena de espertos” se beneficie nestes novos estados, pois eles serão os futuros atores que comandarão e darão as cartas em nome da “luta” e do desenvolvimento humano, o que não acredito que isso venha a ocorrer. Em contrapartida, reduz distâncias para que possamos indicar e acompanhar nossos representantes mais de perto e com a divisão pode surgir algumas “migalhas” a mais.
Por outro lado, não desmembrar é o anseio de tantos outros espertos tradicionais do Pará que só conseguem chegar até Carajás ou Tapajós, quando é tempo de eleições e depois desaparecem com os projetos utópicos que seriam desenvolvidos por meio de políticas públicas, mas só utilizados no campo do discurso que é uma ferramenta estratégica que sempre é utilizada na conquista de votos. O pior de tudo isso é que muita gente está embarcando na defesa do “não” como se no Pará houvesse soluções para minimizar a miséria crescente de seu povo, seja da capital ou do interior.
Assim, ficamos cada vez mais atordoados entre a cruz e a espada por causa do bombardeio de vantagens apresentadas por cada lado. Mas, o que existe mesmo, é um grande jogo de interesses por traz de cada “espertalhão”, enquanto a tão prometida melhoria na qualidade de vida das pessoas deverá continuar somente no campo das promessas e ficar assim dentro de qualquer fronteira política. Ou seja, totalmente inexistente.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 35 do Jornal "O Pioneiro" (18/07 a 15/08/2011)

Recentemente foi postado um comentário num blog local, por um cidadão que se dizia indignado e ofendido com as palavras proferidas por uma repórter de TV que comparou o Estado do Maranhão a réplica de uma vila construída para uma festa escolar.

Esta é apenas uma das inúmeras ofensas e menosprezo aos maranhenses, provocadas pelo povo de nossa região, porque constantemente estamos ouvindo expressões provocativas, onde os provocadores se julgam de certo modo melhores que os outros e até parece que há uma contaminação por parte dos “forasteiros” do ambiente em que eles frequentam. São mensagens e comentários maldosos e debochados, onde muitos atribuem nos seus bojos que as mazelas sociais, culturais, econômicas e até biológicas provém do Maranhão e de seus filhos.

Parece ser uma luta de demarcar territórios com uma defesa inconsciente, visto que os territórios não delimitam em nada além de uma fronteira fictícia que apesar de sua normatização e aceitação social, continua sendo imaginária e serve apenas para determinar uma organização político-administrativa e não para inferiorizar os povos de um lado ou do outro, muito menos suas culturas.

O que observamos é que são práticas etnocêntricas considerando que cada indivíduo se enche de razão para defender seu território cultural e tanto eu, como você ou qualquer um nós somos um pouquinho etnocêntricos em acreditar que a cultura de outros povos deveriam se adequar ou igualar a nossa, ou colocarmos-nos numa escala de superioridade em relação às demais culturas. Portanto, chegar ao ponto de não conceber que vivemos no mesmo patamar de tratamento sociocultural é no mínimo pura ignorância.

Mas, devido o preconceito visível nestas “brincadeiras”, podemos classificá-las ainda como atitudes xenofóbicas, pois torna percebível que o “desconhecido” ou “alguém de fora” do espaço precisa ser tratado com aversão ou ódio, mesmo que seja em tom de gracejo, faz com que os “forasteiros” sintam-se recuados e envergonhados em declarar seu natural para facilitar a redução do menosprezo e da rejeição que os inferiorizam em terras estranhas.

Este tratamento dispensado aos nossos irmãos lá do Maranhão tem sua história, e não é com base em condições econômicas territorialistas e muito menos sobre o direito de propriedade, pois o sistema dominante que esfacela os indivíduos está presente em qualquer rincão deste país e a superioridade está marcada em escalas de poder econômico e político além do prestígio de alguns em detrimento dos demais em qualquer estado brasileiro e não porque nasceu no Maranhão ou qualquer outro lugar.

Aos provocadores de plantão é preciso que entendam que o tratamento dispensado aos nossos irmãos maranhenses precisa ser revisto e ao invés de vestir-se de debochador, procure conhecer a história do Maranhão, sua cultura, sua gente e perceber que as pessoas precisam ser tratadas com mais respeito, sejam elas de qualquer parte do mundo, sejam negras, brancas, idosos, índios, crianças, mulheres, jovens, enfim, todos os seres humanos. 

Quanto ao “Maranhense Indignado”, parabéns pela atitude. É necessário que as pessoas maltratadas e ofendidas injustamente se indignem, pois só com muita indignação podemos obter a tão sonhada justiça social
Edmilson Peixoto
A 1ª Gincana Ambiental Estudantil de característica lúdica oportunizou prazer na execução de inúmeras atividades desenvolvidas pelos alunos da Escola Estadual João Nelson dos Prazeres Henriques, sendo considerada por todos um grande sucesso porque teve seus objetivos previstos plenamente concretizados ao abordar sobre a conscientização ambiental. 


A primeira proposta do projeto era difundir um processo de socialização entre alunos e turmas e destas com a sociedade e seu meio através de atividades coletivas para exercitar o intelecto, o respeito mútuo e o acato às regras. Em segundo, refletir sobre os impactos ambientais negativos provocados pelo homem e suas formas de superação, atrelados ao processo de aprendizagem, conforme todos os alunos foram unânimes em afirmar. 

As atividades iniciaram no mês de março com a realização de um curso on-line sobre “noções de meio ambiente” para familiarizar os participantes com o tema, além de redação, cordel, documentário, oficina e exposição na escola. Na semana do meio ambiente os alunos participaram de palestras, plantio de árvores na escola e nos bairros, caminhada de conscientização pelas ruas da cidade, trilha ecológica no bosque e atividades culturais e de lazer. 

Muita empolgação marcaram as dezessete equipes participantes, que criaram seus gritos de guerra, paródias, bandeiras e nomes temáticos, além de instituírem um capitão para cada equipe e caracterizarem as turmas com crachás e camisetas específicas. Portanto um dos pontos fortes da Gincana foi o recolhimento de materiais descartados na natureza como pneus, garrafas tipo pet, óleo utilizado em frituras e latinhas de cerveja e refrigerante para que fossem reciclados. 

Para compensar tanto esforço, as equipes que mais pontuaram fizeram uma excursão ao município de Tucuruí e numa programação que durou três dias e puderam conhecer outros municípios, assistir em conjunto uma sessão de cinema, tomar banho numa praia artificial no município de Breu Branco, visitar a cidade e o grande projeto da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, recebendo todas as explicações possíveis sobre a usina e eclusas por parte dos funcionários da Eletrobrás. Outras equipes que se aproximaram das primeiras em termo de pontuação, também excursionaram para a Serra dos Carajás por um dia. 

É preciso sempre contribuir com o debate para a conscientização com ações que assegurem a promoção da vida no planeta a partir de atitudes e valores indispensáveis à formação da cidadania plena e da ética relacionados aos problemas que afetam o meio ambiente e acredito que os alunos já estão fazendo sua parte. A Gincana foi aprovada pela maioria, já estamos no aguardo da 2ª edição no mês de junho do ano que vem. 

Parabéns aos alunos, professores e diretores que fizeram a 1ª Gincana Ambiental Estudantil acontecer e até a próxima.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 34 do Jornal "O Pioneiro" (05/06 a 20/06/2011)

É preocupante quando o anormal se torna normal como os “gatos elétricos” em nosso município e até passam a fazer parte de nossa cultura, mas sem perceber que estas ações clandestinas estão se tornando prática comum, formando uma verdadeira “marginalidade intelectual”, pois são gerações inteiras convivendo com esta e outras ilegalidades. 


Estes “atos ilícitos” de trabalhar na “clandestinidade da gatunice” são qualificados como crimes por tratar da subtração de energia. Mas como aplicar a lei, se aqueles que deveriam dar suporte para sua aplicação não tem moral por não ampliar a capacidade e a qualidade do atendimento no setor elétrico? Surge a partir daí, os “gateiros”. Mas, ninguém quer ser “gateiro” o que todos querem é atuar na legalidade e não ser mais taxados de “clandestinos” mesmo pagando a conta com muitos impostos. 

Assim, é fácil decifrar que neste “balaio de gatos” os verdadeiros culpados são os governos e as concessionárias que vivem a cantarolar: “tô nem aí, tô nem aí” e querem mesmo é que todos se explodam num enorme curto-circuito, porque para os culpados não existe lei, muito menos punição e ficamos a ver navios. Ou melhor: sem ver nada às escuras e muito menos sem ter uma solução para o problema. 

Problemas estes que se resumem em “gambiarras” prá todo lado. É gente subindo em poste, descendo de poste, olhando o transformador pegando fogo, orando prá Deus tomar conta, fazendo “vaquinha” para comprar um cabo mais potente, colocando um fio aqui, outro ali, outro acolá, numa questão de mera sobrevivência para que “os ratos” não os devorem. Pior, é que às vezes, prá fugir dos “ratos”, alguns “gateiros” ficam “engatados”, nos seus próprios “gatos”, para alegria dos “ratos” que irão conquistar votos de outros sofredores nos velórios e lamentar pelos “votos eletrocutados”. 

Acredito que em virtude dos felinos terem mitologicamente sete vidas, muitas vidas ainda deverão passar por debaixo desse emaranhado de fios, porque o que interessa mesmo é a vida dos ratos e a exploração mineral que gera o lucro multinacional. Ali sim, energia de qualidade e tratamento elétrico vip e ao povão resta tão somente “fazer gatos” e ter uma carga excessiva de impostos para assegurar que os incentivos fiscais e energia elétrica de qualidade possam ser mantidos pelo estado ao grande capital. Por outro lado, grandes empreendimentos vão sendo instalados e nossa riqueza sendo levada, mas não se vê nenhuma perspectiva de ter energia elétrica decente para o povo deste lugar. 

Só resta uma alternativa: a mobilização popular para fazer com que capitalistas, governos e responsáveis pelo desserviço elétrico resolvam o problema. Seria normal se os representantes populares encabeçassem esta ação, mas como prevalece a anormalidade, é preciso que a massa vá para as ruas protestar e cobrar mais respeito e acima de tudo o fim da profissão de “gateiro”, dos “gatos elétricos” dos “ratos” e de outros bichos sanguessugas.
Edmilson Peixoto
Imagine as diferentes construções, analogias e significados que cada sociedade faz em torno da morte das pessoas! As “comemorações” dos americanos em virtude do assassinato do fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, precisam ser analisadas, levando em consideração dois aspectos: a relação de perda provocada por um dos lados e o contentamento pelo fim trágico de alguém quando paira sobre os opostos. 

Dependendo do ponto de vista e da relação da vida do indivíduo, a morte relaciona-se a algo nunca aceitável e é sempre lamentável quando ela aparece. Mesmo que tenham que enfrentá-la, nem todos tem a coragem de encontrá-la e buscam refúgio à medida que pode. Ou seja, a morte é algo aterrorizador e não deveria ser motivo de alegria prá ninguém que a vive ou presencia-a, mas, depende justamente da relação intrínseca ou extrínseca dos seres humanos. 

Nos preceitos religiosos, a crença e a obediência dos fiéis aos ensinamentos e dogmas das igrejas, referem-se a morte como uma elevação a vida eterna, no sentido de amenizar a perca irreparável que qualquer membro do grupo que “partir desta”, possa provocar aos demais que permanecerem. 

Com isso, manifestações diversas são praticadas desde os processos crematórios com o lançamento das cinzas ao vento para o indivíduo cair no esquecimento do grupo; ou entre outros, as cinzas são guardadas como presença eterna junto aos familiares; uns ainda abastece o morto com todos seus pertences e alimentos; pode-se ainda entre alguns grupos religiosos, ter o morto reencarnado em alguém que ainda vive. Na nossa cultura, o choro, o sepultamento com acompanhamentos e visitas em datas específicas, são práticas comuns, mas todos os rituais de morte e luto têm similaridades, incluindo: unção, velório, enterro e orações, cultos, missas entre outros. Portanto, festejar a morte pelas ruas como um troféu conquistado numa disputa é no mínimo divergente das práticas exercidas. 

As comemorações neste caso é uma manifestação que contraria o choro ou o silêncio por respeito à morte de alguém, de acordo com a construção do sentimento envolvido. Neste aspecto, a morte pode ser sentida como uma derrota pela perda de alguém do grupo de convívio, ou simplesmente uma vitória pelo fim de alguém não desejado por opostos, onde se encaixa Bin Laden, o “vizinho agourento”, o “parente desviado”, o inimigo. Ou seja, todos aqueles que contrariam as regras de convivência grupal. 

No caso de Bin Laden, será que os americanos “riram melhor”, porque “riram por último” pelas ruas e avenidas ou foi a alegria dos terroristas pela morte de milhares de pessoas de maneira mais reservada? Até quando pessoas e grupos estarão exibindo a morte como trunfo por vitórias em batalhas que nunca terão fim, porque tem como diretriz a luta por poder econômico e político para poucos em nome do sofrimento de muitos? 

Uma coisa é certa: não é só o que aqui se faz, que se paga, mas até mesmo depois da morte muitos ainda têm que pagar. Isso depende somente da construção das virtudes e dos valores que a cada dia somos levados a praticar para não servirmos de troféu e escárnio no nosso pós-morte.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 32 do Jornal "O Pioneiro"



Acredito que a chamada “democracia representativa brasileira” não pode ser considerada a comprovação de uma real democracia, porque ainda prevalecem interesses individuais e de exclusão por parte daqueles que chegam ao poder, e uma incapacidade de acompanhamento das demandas por parte dos representados que são lesados até no direito de viver, considerando que passam a ficar sob a égide destes representantes.


No parlamento federal brasileiro, os “representantes do povo” totalizam 513 deputados federais e 81 senadores e são os mais bem pagos do mundo, pois recebem somente de salários, 400 mil reais por ano, distribuídos em até um décimo quinto salário, criado por eles.


No final do ano passado nossos representantes no parlamento aprovaram o projeto de aumento em 61,83% nos seus próprios salários e passaram a receber o equivalente a R$ 26.723,13 mensais, ou seja, R$ 10.211,13 a mais nos seus bolsos, sem contabilizar outras entradas como verbas de gabinete, verbas indenizatórias, verbas para passagens aéreas, verbas para auxílio moradia, verbas nas cuecas, nas meias entre outras verbas de fontes desconhecidas. Uma verdadeira farra nacional.


No Pará, os deputados estaduais que recebiam R$ 12.000,00 mensais, também já fizeram seus reajustes, passando a receber desde fevereiro de 2011, a importância de R$ 20.000,00 por mês, ou seja, um acréscimo de 66,67% na remuneração, totalizando um aumento de R$ 8.000,00. Dos 41 deputados existentes na Assembleia Legislativa, apenas um votou contra esse aumento.


Além disso, no parlamento estadual existem aquelas outras verbas como no parlamento federal, e recentemente a Assembleia Legislativa do Pará aprovou ainda um décimo quarto salário e a tendência é criar também um décimo quinto. Uma verdadeira farra estadual


O salário-reclusão destinado aos dependentes daqueles que foram recolhidos à prisão e perdura durante o período em que o indivíduo estiver preso sob-regime fechado ou semiaberto, pulou de R$ 810,18, para R$ 862,11 pagos pela Previdência Social e no caso de morte do detento, o auxílio-reclusão vira pensão. Existe até o telefone 135 específico para atendimento nesta finalidade.


Por outro lado, os “representantes do povo” no parlamento federal aprovaram recentemente um aumento em 6,86% no salário mínimo, passando de R$ 510,00 para R$ 545,00, ou seja, um vergonhoso aumento de apenas 35,00 reais para os trabalhadores. Isso equivalente a R$ 7.085,00 por um ano de trabalho duro.


Para um trabalhador atingir o salário total recebido em apenas um mês por um deputado federal ou por um senador é preciso trabalhar quatro anos e dois meses. Se equipararmos ao salário recebido por um dos deputados estaduais no Pará, o trabalhador vai suar durante três longos anos e mais alguns dias para atingir o montante e, inclusive, precisa trabalhar durante quarenta e sete dias, ou seja, mais de um mês e meio para receber o que um presidiário recebe de salário por estar preso.


Estas são apenas algumas das comparações que podemos estar associando nesta relação nefasta entre representantes e representados e concluir que a verdadeira democracia é aquela que deve ter a participação recíproca entre ambos e principalmente, mais consciente de seu povo. Portanto, enquanto o sistema reproduzir a figura dos representantes como os “todos poderosos” e de um povo alienado, sempre irão ocorrer às farras nestes poderes ditos “democráticos”, e as recompensas não serão para aqueles que realmente trabalham.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 31 do Jornal "O Pioneiro" 31/03 a 12/04


Você já ouviu o Plewley do Assunção? E o Léo Rithis? Acho que ali simplesmente repousava a serena intenção de manter a originalidade musical, que conforme observou Pimenta de Melo, existem umas antagonices nas “graças” dos novos indivíduos e é impressionante como Jemima, Arllesson e Valwanderson retratam essas graças do tipo made in Thawan sem “i”.

Impressionante mesmo foi quando a presença de Warligthian foi solicitada. Todos se entreolharam e num gesto de negação, puniram aquela “graça”, acredito que devido à falta de contatos sociais, ocasionando certa estranheza ou por nunca ter antes deparado com nada de igual magnitude. Portanto, em outro pavilhão, Riverson e Everson pareciam ser os “inversos” ou os “reversos” das nobres e singelas apresentações individuais daqueles cidadãos que procuravam explicações junto a Hanetiohanne e Isaac Donnadoni, do que seria essa nova moda de dificultar as coisas, ou pelo menos tentar em terras estranhas.

Mas foram Allef, Walef e Gesmiel com graças de tendências religiosas da ala de “Santa Rosa”, que fez todos flutuarem para além do ocidente e se imaginarem em terras orientais e esquecer momentaneamente a cidade do faz de contas dos alis e seus cinquentões, encravada junto aos minerais das terras brasilianas com domínio “valerista”, que Ales não tem nada a ver com este tipo de gente.

Quando fomos pulando de “galho em galho” e iniciávamos a leitura das “tábuas das graças” pareciam que havíamos fugido das terras brasilianas e estávamos em outra dimensão deste planeta, mas sem sair daqui e chegar até na terra dos “manda chuva”, onde conhecemos Goulart Sereniski, Maykon Dhool, Ricle Curvina e Phylype Pianco. Deve ser o processo globalizante. Só pode ser.

Por outro lado é importante frisar que o Jimmy Carter está entre nós e até recentemente tínhamos também o Michael Jackson, filho da dona Lindalva Jackson e garanto-lhe que a Samirany não estava na terra do maremoto navegando naquelas altas ondas sobre carros e apartamentos, por isto continua por aqui. Muito bom!

Estes brasilianos estrangeiros adoram suas graças ao passo que aqueles de cunho genuinamente brasilianos como “Dar Dores”, “Mundim”, “Pedo” ou “Maria do Espírito Santo Amém”, fazem questão de colocar as mãos sobre os ouvidos quando chega o momento destes pronunciamentos. Aias, aliás, que também é graça fica entre a cruz e a espada porque Paul mesclou o pseudo Agneudo de que as “Marias”, os “Josés” e os “Raimundos” não têm mais força para suportar a fúria globalizante das “graças” e estão desaparecendo das “tábuas de chamada”.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 30 do Jornal "O Pioneiro"

Cada sociedade se identifica ao legitimarem expressões próprias, ou estilos de vida que marcam o grupo social, ou seja, é algo particular que é desenvolvido e caracterizado pelo conjunto de indivíduos que compartilham a mesma cultura.

O “Brasil externo” passou a definir o carnaval e o futebol como a “identidade do povo brasileiro” considerando como um estilo próprio do nosso país. Mas retornando às origens, descobrimos que a primeira manifestação carnavalesca ocorreu no Egito, sendo uma festa marcada por danças e cantorias em volta de fogueiras, onde os foliões usavam máscaras e disfarces para simbolizar a inexistência de classes sociais. Por sua vez, o futebol, foi criado na Inglaterra, mas é originário da China, pois lá era praticado esporte semelhante ao futebol por soldados do Imperador Xeng Ti 25 séculos a.C., utilizando uma bola feita de pele de animal recheada com ferragens.

O carnaval e o futebol sem dúvida tornou-se uma marca inconfundível do Brasil, mas não é genuinamente brasileira, mesmo que seus defensores venham a dizer que ninguém sabe “gingar” melhor que o brasileiro seja na dança ou no jogo. Portanto, entre a origem e o gingado, será que é possível dizer que esta identidade é nossa?

Mas, podemos sintetizar numa análise superficial que, “tudo é festa”, seja nos “sambódromos” oficiais ou improvisados nas avenidas, ou nos “estádios” gramados e nos “peladeiros” compostos por dois tijolos de cada lado “do campo” demarcado no meio da rua, transportando todo um sentimento de alegria e felicidade em diversão, lazer e muito prazer, como se existissem somente momentos de encantamentos no “país dos mascarados”.

Por outro lado, existe o “Brasil real” que sempre está na invisibilidade, não podendo aparecer aos olhos do turista e do mundo, com aquele “jeitinho brasileiro” que tornou famosa a expressão: “você sabe com quem está falando?” num jeito cruel e desafiador de humilhar e demonstrar poder para alguém que numa hierarquia não vista, é colocado como “inferior ao outro” e aí não tem como mascarar a realidade.

Assim, o Brasil não se resume em carnaval e futebol. Estes são apenas “exportados” como marca para “camuflar” a verdadeira essência deste “Brasil real” por resumir-se em festa onde as diferenças sociais não são percebidas, pois escondem atrás destas máscaras, as verdadeiras facetas da discriminação social, racial, política, sexual, cultural, enfim, o país da impunidade onde políticos passam anos e anos e não fazem absolutamente nada em prol do povo, mas vangloriam que foram “legitimados pelo voto”, portanto, por uma “população dos sem máscaras”, composta de miseráveis e “analfabetos políticos” que ainda “vendem votos” para sobreviver ou tentar viver.

Portanto, vamos ficar atentos para que a “identidade cultural” brasileira, representada pelo carnaval e pelo futebol possa servir também de parâmetros reflexivos das questões inerentes a miséria humana que contradiz a situação de um país tão rico, mas que tenta cobrir suas mazelas atrás das máscaras da igualdade social.
Edmilson Peixoto

Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 29 do Jornal "O Pioneiro"

Durante muito tempo o homem foi considerado produto do meio, norteando uma das mais conhecidas filosofias socráticas. Mas, o filósofo também dizia que a moral e a virtude não podiam ser ensinadas e eram eminentemente ou não do ser humano, uma vez que a pessoa que nasceu sem elas nunca poderia aprendê-las, ou praticá-las.

Quando Jean-Paul Sartre frisa uma leitura existencialista do marxismo, diz que a essência do homem é não ter essência. A essência do homem é algo que ele próprio constrói, ou seja, a História. "A existência precede a essência"; nenhum ser humano nasce pronto, mas o homem é, em sua essência, produto do meio em que vive, que é construído a partir de suas relações sociais em que cada pessoa se encontra. Assim como o homem produz o seu próprio ambiente.

Ao partirmos desse princípio, podemos imaginar como o ser humano vem construindo sua História e como se insere no emaranhado desta construção social. Uma teia que ele mesmo está tecendo. Por outro lado, como o ambiente criador desse produto deixa de ser fator preponderante da existência humana e quando esse homem vai deixando de ser criatura e começa a rebelar, burlar e desmistificar o poder criador que até então pertencia ao meio.

Quando Sócrates compreendia que a moral e a virtude humana são natas de cada um que a possui, imagine qual o senso de responsabilidade e respeito entre a “criatura” (homem) que simplesmente destrói o seu criador (ambiente). A moral e a virtude passam a ser vistas como amorais pela viseira dos “normais” que destroem o “criador” em nome de si mesmo e do engrandecimento econômico e político de cunho estritamente individualista e perverso. Resumindo podemos dizer que a moral e a virtude são méritos de poucos homens que respeitam a si mesmos e ao meio em que vivem.

As catástrofes naturais que ora vem ocorrendo são sinais clarividentes desta tentativa de inversão dos papéis entre criador e criatura. O homem, ao assumir lugar de criador e dar outro destino ao meio, sofre sua reação muitas vezes perversa, mas, podemos considerá-la como normal, pois segue o próprio curso da história construída pela ganância durante muitos anos fazendo com que a inversão se complete: ”o meio passa a ser produto do homem”.Como o homem constrói sua própria história, percebemos então que essa construção está alicerçada em lugar nenhum, sem nenhuma base existencial de relações sociais duradouras, mas de caprichos e desejos pessoais.

Assim podemos concluir: A desconstrução do ambiente para construir a história humana, faz com que o homem construa o seu próprio fim.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 28 do Jornal "O Pioneiro" e AQUI no blog do Hisoshi Bogéa

Está chegando o Natal. Data que simboliza a esperança e o renascer de uma “nova vida” para milhares de pessoas que “vivem sem esperança” e lamentam constantemente da vida que tem. Mas, apesar de todas as controvérsias e transigências que recheia a origem do Natal, é o momento da representação máxima da celebração cristã do nascimento do maior herói de toda a humanidade - Jesus Cristo.

O Natal representa também o lúdico que encanta todas as idades e direciona ao consumismo principalmente daqueles que menos tem, mas que precisam culturalmente presentear pela data que exige a lembrança, através de uma recordação material preparada pelo capitalismo para agradar todos os consumidores e aumentar as “cifras do lucro”.

Natal é ainda o dia de amenizar o “peso da consciência e dos pecados” e praticar o bem. É ser solidário e doar-se numa constante demonstração de gratidão e fraternidade.

Aí, recordo-me de uma das maravilhosas canções do padre Zezinho que diz: “...tudo seria bem melhor, se o Natal não fosse um dia e se as mães fossem Maria e se os pais fossem José e se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré”, e imagino se esse Natal solidário não fosse apenas um dia, poderiam servir “sopão” e até doar roupas e brinquedos velhos diariamente aos indigentes. Poderiam deixar de exigir mais segurança contra os pobres, negros e favelados e parar de ficar implorando pela pena de morte, pela redução da maioridade penal, não desejar mais ver as mulheres mortas por praticarem aborto, nem desejar mais a morte e a destruição dos favelados ou sentir ódio e medo das crianças nos faróis, e até se indignar por todo e qualquer tipo de trabalho infantil, trabalho escravo ou aquele insalubre praticado por idosos, pela prostituição de crianças, adolescentes e jovens, por lhes faltar oportunidades e igualdade de condição.

Talvez com a prática efetiva da verdadeira solidariedade, fosse possível amenizar situações conflituosas de vidas sofridas diuturnamente de milhares de pessoas que passam “fome de comida”, “de educação”, “de saúde” e a pior de todas elas que é a “fome não saciada por justiça”, convivida com a injustiça da própria justiça e dos “algozes corruptos e inescrupulosos” que são referendados como representantes do povo e aproveitam o Natal para mandar aqueles cartõezinhos idiotas com dizeres do tipo: “vamos juntos construir um novo tempo”.

Entretanto, ser solidário é indignar-se com a existência de milhões de pobres e miseráveis que vivem sem Natal e sobrevivem o ano todo com migalhas ou passam fome, em contradição com tanta riqueza que se concentra nas mãos de poucos. Por outro lado, não é somente se indignar, mas lutar contra todo e qualquer tipo de desigualdade e discriminação humana durante todos os dias de cada ano.

Que o espírito do Natal esteja sempre conosco. Feliz Ano Novo a todos e todas.
Edmilson Peixoto
Autor: Antonio Nilson Paz
Poeta paraense

Toda a beleza do mundo está:
No canto de quem canta;
No corpo de quem dança;
Na manhã que se levanta em todo amanhecer.

Toda a beleza do mundo está:
Na boca de quem beija;
No abraço de quem abraça;
Na alma de quem ama em todo entardecer.

Toda a beleza do mundo está:
No desejo de querer;
Na maneira de falar e no no jeito de fazer.

Toda a beleza do mundo está:
Na forma de lutar;
Na grandeza de viver e no vento a soprar.

Toda a beleza do mundo está:
Nos olhos de quem vê.
Edmilson Peixoto
Autor: Werventon dos Santos Miranda
Doutorando em Matemática na UFPA

Meu colega Werventon Miranda, está apresentando alguns pontos para reflexão e debate acerca da tão necessária Reforma Política neste país. Como faz-se importante que todos tomem conhecimento e participem com mais sugestões, a mim foi cedido pelo autor para divulgar este Fragmento reflexivo descrito a seguir:

"Os resultados do 1º turno das eleições 2010, na qual fomos às urnas no intuito de escolhermos nossos representantes para as Assembléias Legislativas estaduais e distrital, Câmara Federal e dois dos três senadores por estado e do Distrito Federal além dos que irão responder pelo executivo dessas respectivas unidades federativas e pelo país; mostrou que as incoerências de nosso sistema político-eleitoral começa a desagradar também os que dele vivem (os políticos) como a muito vem incomodando a nós eleitores.

A proporcionalidade para a representação legislativa faz com que candidatos de votação expressiva conquistem o mandato para si e para outros do mesmo partido ou coligação, deixando sem mandatos outros que receberam menos votos que eles, porém muito mais do que os outros que assumirão o mandato em função do prestígio do 1º e não por ter reconhecimento de seu próprio trabalho e/ou propostas.

Mas o que está por traz da proporcionalidade? É ela ou há outra coisa que está distorcendo a vontade popular?

Aparentemente ganha força a necessidade de uma reforma política. Entre os pontos de destaque está à fidelidade partidária, o financiamento público de campanha, a lista pré-ordenada, etc.; ou seja, o respeito à vontade do eleitor não fica evidente nesses pontos. As discussões iniciais não deixam claro o peso da opinião popular nos critérios de alteração; por exemplo, o eleitor poderá alterar a ordem dos candidatos na lista? se não vai, qual será a diferença em relação ao que acontece hoje, quando o mais votado é um, e o investido no mandato é outro? Acabará a coligação para os mandatos proporcionais? O voto continuará obrigatório para a maioria da população? Os votos brancos e nulos continuarão sendo ignorados na apuração?

Sou o tipo de eleitor que vota no candidato independente do partido ou coligação a que o mesmo pertença. Se legenda partidária fosse garantia de idoneidade política, partidos que condenam a corrupção em um dado momento não teriam alguns de seus filiados envolvidos neste tipo de falha em outros. Tenho resistência a ideia da lista pré-ordenada ou “fechada”, que na prática torna obrigatório o voto de legenda. Mas diante do que tenho observado nas últimas eleições, já aceito discutir o assunto nos seguintes termos:

1. O voto seria facultativo para todos, porém as eleições só teriam validade se 70% ou mais dos eleitores comparecessem as urnas, e desses, menos de 50% votassem branco ou nulo;

2. Em caso de não validade das eleições por não atender os requisitos do item 01 (um), outra eleição seria convocada para no máximo 180 dias depois, sem que os candidatos que participaram da eleição invalidada participem; pois os mesmos e/ou suas propostas foram claramente rejeitadas;

3. O voto para o legislativo proporcional passaria a ser feito em duas etapas: na primeira o eleitor escolhe a lista partidária de sua preferência ou invalida a escolha (voto nulo ou branco); na segunda o eleitor teria a opção de confirmar a ordem feita pelo partido ou digitar o número do candidato daquela lista que ele quer que esteja em 1º lugar. A lista seria reordenada se 50% mais um do número de eleitores que escolheu a lista não a tiver confirmado;

4. O número de candidatos de cada lista terá obrigatoriamente o dobro do número de vagas a ser preenchidas.

Pelo que pude entender, a questão da lista pré-ordenada está vinculada ao financiamento público de campanha e a obrigatoriedade de ser vinculado a um partido para ter direito de registrar a candidatura (como hoje); no entanto, acredito que já é hora de se discutir a possibilidade da candidatura de quem não tem filiação partidária. Na hipótese de candidaturas sem vínculo partidário para qualquer função ou esfera, o financiamento de campanha seria público ou cada candidato deveria buscar doações como ocorre hoje? Após ser eleito o candidato poderia a qualquer momento se filiar a um partido ou deveria aguardar a “janela política” como na prática atual?

Acredito que muito do que se pratica hoje pode e deve ser mantido como: a proporcionalidade seria aplicada pelo coeficiente eleitoral, (só que para as listas ou candidaturas avulsas), a cota feminina, a ficha limpa e outras seriam preservadas.

Não tenho condições ou a pretensão de ter uma proposta completa em um tema tão complexo; mas como eleitor que às vezes tem que comparecer as urnas em primeiro ou segundo turno sem que haja realmente uma opção de escolha, na iminência de ter o sistema eleitoral discutido sob a ótica dos políticos, gostaria de ser uma voz a se considerar e que cada um dos partidos políticos promovesse em cada cidade um seminário para discutir com a população sua visão de reforma política e outras que são tão reivindicadas; mas discutidas as portas fechadas."
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 26 do Jornal "O Pioneiro"

Canaã, de acordo com as descrições bíblicas era a terra prometida por Deus aos descendentes hebraicos após o êxodo do Egito. A terra que jorrava leite e mel em abundância.

Canaã dos Carajás é também uma terra prometida que atraiu muita gente heroica e brava do norte, nordeste sudeste, do sul, centro-oeste e de todo o Brasil, pois é a terra que mina o cobre, o níquel, o ouro e outros tesouros conforme transcrição de Jeová Gonçalves de Andrade na letra do maravilhoso hino em homenagem ao município.

Para chegar a Canaã bíblica prometida por Deus e saciar-se com o leite e o mel, grande multidão se deslocou durante anos para viver na plenitude. Também para a Canaã do Sudeste Paraense veio gente deixando o passado em terras distantes e depararam aqui com imensas riquezas. Mas, o nosso leite e o nosso mel em forma de minérios, passaram a ser vistos apenas saindo em grandes quantidades do município para alimentar a famigerada fome insaciável do lucro multinacional. Ficando por aqui, apenas o sonho de ter um lugar digno para viver, junto com o “rejeito”, daquilo que é descartado por não agregar valor comercial e uma imensa cratera.

Os otimistas podem até partir do princípio que são apenas dezesseis anos de caminhada da Canaã daqui, enquanto que na Canaã de Israel, a caminhada durou quarenta anos com muita luta, cansaço e sacrifícios para enfim encontrar muito leite e mel. Mas o que nossa “jovem Canaã” terá para oferecer aos seus filhos quando estes tiverem quarenta anos de caminhada? Não é preciso saber fazer previsões futuristas, nem ter uma visão pessimista para imaginar o imenso buraco que servirá para sepultar aqueles que desafiaram o futuro no verde escuro no seio da Amazônia para construir e viver nesta cidade de sonhos com esperança juvenil.

É o sonho do povo que através do trabalho duro, cresceria e se desenvolveria com dignidade junto com sua família e saciaria com o leite e o mel doado pela mãe natureza. Portanto, os “insaciáveis” pelo capital, querem cada vez mais e mais. Agora passaram também a vender saúde, educação, cultura e até mesmo essa gente. Tudo em nome da ganância e do lucro, enquanto a intenção divina era que houvesse a divisão coletiva da produção, através de uma justa distribuição da renda proveniente desta riqueza, aplicada em saúde e educação de qualidade, energia elétrica decente, saneamento básico e outros componentes necessários para a satisfação do sonho dos canaenses de viver com dignidade.

Parabéns Canaã! Que um dia consigamos alcançar a estância com toda a esperança através da união do povo e fazer parte de sua história. Mas, primeiro é preciso que sua gente se conscientize para não continuar sendo surripiadas pelos faraós “sanguessugas” deste município e que o seu leite e o seu mel possa ser melhor distribuído entre seu povo.
Edmilson Peixoto

Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 24 do Jornal "O Pioneiro"

Está se aproximando o dia de mais uma eleição. De um lado o “povão” inerte, confuso, frustrado e muito decepcionado. Tudo porque é chegado o momento de referendar os nomes dos seus “representantes”. O pior é que nunca, ou dificilmente estes representantes realmente os defendem quando eles mais precisam. A desmotivação do voto é fruto desta relação mal sucedida e pela falta de participação popular na vida e nos acontecimentos políticos.

Por outro lado estão os pretendentes a representantes. Todos, assim muito apaixonados pelo voto desta gente, parece até amor à primeira vista. Por isso, o que tem de paraquedistas caindo por aqui, não é brincadeira. Inclusive tem gente que nem sequer tínhamos ouvido falar que existia, mas, estão por aí declarando que ama esta cidade e seu povo como nunca amou ninguém. Outro dia ouvi um discurso de uns candidatos da capital que quase chorei de emoção. Estes “cidadãos” tem um poder de embromação tão grande, que se você não tomar cuidado, eles te enrolam mesmo, dizendo que vai fazer e que tudo vai acontecer. Que não fez porque o tempo foi curto. Que precisa de mais, [tempo?]. Pior que sempre acreditamos.

Cada dia torna-se mais difícil esta relação entre representantes e representados e temos que escolher. O que fazer? É difícil por existir poucas alternativas. Primeiro, nunca sabemos quem realmente indicam estas pessoas em quem devemos votar e nos representar. Os partidos sempre repetem os mesmos políticos e não oportunizam gente de ideias novas e quando isso ocorre, os antigos já tem o domínio e as “treitas” eleitorais, não dando chances de disputa para quem pensa e quer agir diferente. Por último, tivemos candidaturas indeferidas de pessoas que nunca ingressaram na política, enquanto antigos políticos tiveram suas candidaturas aprovadas mesmo tendo um passado de ficha imensamente “suja”, ou melhor, “imunda” e estão aí disputando mais um pleito eleitoral e com “chances” de serem mais uma vez, eleitos

Uma das alternativas seria apoiar os candidatos locais, pelo menos teríamos a oportunidade de estarmos mais próximos e cobrar nossa participação política porque todos os indivíduos têm o dever de participar da vida social, afinal, os representantes devem apresentar as demandas dos seus representados e estes conhecem ou vivem um pouco esta realidade.

Portanto, com o comportamento dos nossos políticos, não é raro que as pessoas se recusem a exercer seu direito de participação, e se limitam a cuidar dos assuntos de seus interesses particular imediato, dizendo que não gostam de política ou que não entendem disso. Outros, já gozam de situação econômica privilegiada e acham que, por esse motivo, sempre viverão bem, mesmo com um mal representante. Não se importam com o fato de haver pessoas e famílias sofrendo discriminação e vivendo na miséria, sem terem o mínimo necessário para estar de acordo com as exigências da dignidade humana, assim, não é justo que só alguns tomem as decisões que os outros ficarão obrigados a cumprir, principalmente se estas decisões partem daqueles que se dizem representantes do povo.

Que possamos eleger pessoas dignas de nos representar e que nos oportunize a participação no processo político atendendo aos anseios e expectativas populares.
Edmilson Peixoto
Autor: Edmilson Alves Peixoto
Publicado na Edição nº 20 do Jornal "O Pioneiro"

O título nos remete a uma daquelas fábulas de fundo moral, mas é apenas o cenário político brasileiro da era FHC/Lula que pretendemos abordar, onde o cargo e o tempo de mandato são algumas das comparações que ainda os igualam. Portanto, as vidas pregressas e as gestões são marcas totalmente diferenciadas entre os dois estadistas.

FHC encerra o período de sua gestão no final do século XX e Lula começa após os dois primeiros anos do século XXI, em campos opostos tanto na condição social, econômica e educacional. A formação acadêmica de cada um passa a servir de parâmetros para discursos que somente se esvaziam quando a prática assume o lugar da teoria, tornando perceptível a discrepância inigualável entre Fernando Henrique Cardoso, doutor em Sociologia capaz de falar diversos idiomas e Lula, taxado de analfabeto, conhecedor da profissão de torneiro mecânico e que ingressara na carreira política graças a sua forte atuação na luta sindical.

Lula que não compreendia e não se inseria no mundo dos letrados, compreendeu muito bem como lidar com as dificuldades de oitenta por cento de uma população pobre devido ter saído daquele meio. Encerra assim, um segundo mandato consecutivo com oitenta por cento de aprovação, refletindo as respostas daquela mesma massa esquecida pela elite para quem FHC governou e que ainda faz parte.

A gestão FHC, marcada pelo modelo neoliberal globalizante com a venda de estatais importantes como a Vale e empresas de energia e telecomunicações, ficou também conhecida por inúmeros apagões elétricos e sociais entre outras barbeiragens de poder que o doutor não tinha uma fórmula pronta nos laboratórios universitários que pudesse ter usado, nem tampouco conseguiu elaborar alguma fórmula para dirimir os problemas sociais, como o desemprego recorde, o aumento substancial do subemprego, da mendicância, da toxicomania, e outros.

Por sua vez, Lula assassina o idioma dos letrados conforme declarações de Caetano Veloso em entrevista ao jornal Estado de São Paulo: Lula "não sabe falar, é cafona e grosseiro". Mas ele foi capaz de dizer o “idioma caipira” que os brasileiros entenderam, demonstrando que “falar bonito e ser elegante” não é fórmula para assegurar aprovação da massa representada pela maioria absoluta populacional.

Não é que o Lula não tenha cometido suas barbeiragens de percurso. Inclusive, foi no seu governo a privatização de rodovias importantes, de redes bancárias e de hidrelétricas, além de não ter conseguido fazer o “Brasil ideal”, que tanto sonhamos. Portanto, entender aquilo que os números frios apontam: o “analfabeto” dando aulas de gestão ao “doutor”, mesmo que não é possível generalizar, pois nem todo doutor está fadado ao fracasso, como nem todo analfabeto terá a capacidade de falar para o povo entender. Porém, o “sociólogo” e o “analfabeto” demonstraram essa possibilidade.